Rovigo: a Maior Central Solar da Europa Construída em Fase Única
Como uma usina de 70 MW no nordeste da Itália, erguida em nove meses, virou referência mundial de velocidade de execução em projetos fotovoltaicos de grande porte.
Contexto Histórico
Em 2010, a Europa vivia o auge do primeiro grande ciclo de expansão fotovoltaica, impulsionado por tarifas-prêmio na Alemanha, Espanha e Itália. Usinas de dezenas de megawatts ainda eram raras no mundo — e praticamente inimagináveis no Brasil, que só publicaria a Resolução Normativa ANEEL nº 482 dois anos depois.
Foi nesse cenário que a interconexão da central de Rovigo, no nordeste da Itália, ganhou repercussão internacional: 70 MW colocados em operação em uma única fase, com construção e interconexão concluídas em apenas nove meses.
O Comunicado Original de 23 de Novembro de 2010
O anúncio, publicado originalmente na sala de imprensa deste site sob o título “A SunEdison interconecta a maior central de energia solar fotovoltaica da Europa colocada em funcionamento em uma única fase”, detalhava:
- Capacidade: 70 MW, perto da cidade de Rovigo, nordeste da Itália — a maior central fotovoltaica da Europa posta em operação em fase única;
- Prazo: construção e interconexão concluídas em 9 meses;
- Estrutura de capital: ativo adquirido pela First Reserve por meio de joint venture com a SunEdison, com investimento de programas geridos pela Partners Group AG e pela Perennius Capital Partners SGR;
- Financiamento: acordo de 276 milhões de euros com bancos europeus, entre eles Santander, Unicredit, Dexia Crediop, Natixis, Société Générale e Crédit Agricole;
- Operação: SunEdison responsável pela operação e manutenção (O&M) de longo prazo;
- Impacto: geração estimada para abastecer 16.500 residências no primeiro ano, evitando 40.000 toneladas de CO2 — o equivalente a retirar 8.000 automóveis das ruas.
“Graças à demora de menos de um ano na construção, esse projeto define um marco para o setor e se converterá em uma referência para os megaprojetos futuros.”
— Carlos Domenech, presidente da SunEdison, no comunicado de 2010.
O comunicado registrava ainda que o então Ministro italiano do Desenvolvimento Econômico, Paolo Romani, parabenizou a empresa por carta — um sinal do peso político que grandes projetos solares já carregavam na Europa daquele período.
Significado para o Setor
Rovigo provou que uma usina fotovoltaica de porte podia ser financiada, construída e interconectada no intervalo de um único ciclo orçamentário — algo impensável para térmicas ou hidrelétricas. A velocidade de implantação se tornaria, na década seguinte, um dos argumentos centrais da fonte solar em leilões de energia no mundo inteiro, inclusive no Brasil.
O arranjo financeiro também foi pioneiro: o desenvolvedor vendia o ativo pronto a um fundo de infraestrutura e permanecia como operador de longo prazo. Esse modelo “desenvolver, vender e operar” é hoje padrão de mercado em usinas de grande porte.
Da Usina Gigante ao Telhado
A tecnologia de 2010 era dominada por grandes inversores centrais — a eletrônica de potência era um ponto único de falha para fileiras inteiras de módulos. A década seguinte veria a eletrônica se distribuir: microinversores levaram a conversão para o nível do módulo individual, primeiro em telhados residenciais e comerciais, com ganhos de segurança e monitoramento por painel.
Para empresas brasileiras que hoje avaliam projetos de energia solar, a lição de Rovigo permanece atual: prazo curto de implantação é uma vantagem competitiva da fonte solar que nenhuma outra infraestrutura de geração alcança.
Lições Históricas
Rovigo marcou o momento em que o setor solar europeu passou de instalações demonstrativas para infraestrutura de escala bancária, com consórcios de crédito de centenas de milhões de euros. A maturidade financeira precedeu — e financiou — a queda de custos que tornaria a fonte competitiva sem subsídios anos depois.