Arquivo Histórico2013

CAP e o Atacama: 100 MW para a Mineração e o Nascimento do Autoconsumo Industrial

Em janeiro de 2013, um contrato no Chile antecipou o que viraria tendência mundial: grandes indústrias contratando usinas solares dedicadas para reduzir custo de energia.

Por Equipe Editorial – Arquivo Solar BrasilÚltima atualização: Agosto 2026

Contexto Histórico

No início de 2013, a energia solar ainda era vista majoritariamente como fonte subsidiada. O contrato entre a SunEdison e o grupo CAP — maior minerador do Chile, produtor de minério de ferro e aço — quebrou esse paradigma na América Latina: uma indústria eletrointensiva contratando 100 MW solares por decisão puramente econômica, aproveitando a maior irradiação do planeta, no Deserto do Atacama.

O Comunicado Original de 31 de Janeiro de 2013

O anúncio, publicado originalmente na sala de imprensa deste site sob o título “SunEdison e CAP Assinam Contrato para Construção de uma Usina Solar Fotovoltaica de 100MW no Chile”, detalhava:

  • Capacidade: 100 MW (DC) no Deserto do Atacama — à época, a expectativa era de que fosse a maior usina solar da América Latina e uma das maiores do mundo;
  • Cliente-âncora: a usina abasteceria cerca de 15% da demanda de eletricidade do grupo minerador CAP;
  • Tecnologia: mais de 300.000 módulos monocristalinos Silvantis™ sobre rastreadores solares projetados pela SunEdison — fabricados com aço fornecido pela própria CAP;
  • Operação: gestão pelo Centro de Operações Renováveis (ROC), com unidades em Belmont, Madri e Chennai, monitorando o desempenho em tempo integral;
  • Geração: 270 GWh estimados no primeiro ano, evitando mais de 135.000 toneladas de CO2/ano — o equivalente a retirar 30.000 automóveis de circulação.

“Trabalhamos para entregar uma solução inovadora projetada para reduzir seus custos e obter até 15 por cento de seu abastecimento de eletricidade a partir de energia limpa.”
— Pancho Pérez, gerente geral da SunEdison para EMEA, América Latina e Norte da Ásia, no comunicado de 2013.

Significado para o Setor

O projeto — que entraria em operação como Amanecer Solar CAP — foi o embrião latino-americano dos contratos corporativos de energia renovável (PPAs) que hoje movimentam o mercado livre no Brasil e no mundo. A lógica circular do arranjo chamou atenção: a mineradora fornecia o aço dos rastreadores da usina que reduziria a conta de energia da própria mineradora.

O comunicado também documenta um marco operacional pouco lembrado: o monitoramento centralizado e contínuo de usinas espalhadas por três continentes a partir de centros de operação dedicados — prática que anos depois desceria de escala até o monitoramento por módulo em sistemas residenciais.

Evolução Posterior

O autoconsumo industrial antecipado pelo contrato CAP chegou ao Brasil em ondas: primeiro pela migração de grandes consumidores ao mercado livre, depois pela geração distribuída em telhados e áreas de fábricas e centros de distribuição. Para empresas que hoje estudam energia solar para reduzir custos, o caminho aberto no Atacama em 2013 está pavimentado: tecnologia madura, retorno previsível e prazo de implantação curto.

A escala também mudou de eixo. O que em 2013 exigia 100 MW num deserto hoje se distribui em milhares de sistemas menores — dimensionáveis em minutos com simuladores de energia solar por cidade que estimam geração e economia para cada endereço.

Lições Históricas

CAP provou que a decisão solar podia ser tomada pelo CFO, não pelo departamento de sustentabilidade. Quando o custo da energia fotovoltaica cruzou o custo da energia de rede para grandes consumidores — primeiro nos desertos de alta irradiação, depois em quase todo o mundo — a expansão da fonte deixou de depender de subsídio e passou a depender apenas de capital e prazo de conexão.